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  • Atualizações genômicas e epidemiológicas da circulação da SARS-CoV-2 no Brasil

    A doença de coronavírus 2019 (COVID-19) é uma doença causada por coronavírus 2 da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2) que foi detectada pela primeira vez na China em dezembro de 2019. Brasil confirmou os primeiros casos em 26 de fevereiro de 2020, em um paciente retornando da Itália.

    Situação epidemiológica no Brasil

    Atualmente existem 2,227,514 casos confirmados de COVID19 em todo o Brasil (23 de julho de 2020). Desses, 439,446 (20%) de todos os casos confirmados foram relatados no estado de São Paulo e 148,623 casos (7%) no estado do Rio de Janeiro. Observe que esses números contêm informações reportadas pelos veículos de mídia locais e podem não corresponder aos números relatados pelo Ministério da Saúde do Brasil. Verifique as atualizações diárias fornecidas pelo Ministério da Saúde do Brasil .

    O primeiro caso no Brasil foi confirmado em 26 de fevereiro de 2020 ( confira nosso breve relatório aqui ). Desde então, o vírus foi detectado nas cinco regiões do país. A transmissão local foi confirmada em todas as regiões do país.

    Imunidade de rebanho ao COVID-19 na região Amazônica

    Preprint: medRxiv, September 2020, https://doi.org/10.1101/2020.09.16.20194787

    O limiar de imunidade de rebanho é atingido quando uma determinada proporção da população se torna imune a um agente infeccioso, por infecção natural ou vacinação, de modo que, na ausência de medidas preventivas adicionais, novos casos entram em declínio e o número de reprodução efetiva se torna menor que um. No caso do COVID-19 esse parâmetro epidemiológico fundamental continua desconhecido, e modelos matemáticos têm chegado a estimativas muito divergentes. Estudos a nível populacional utilizando testes de anticorpos para inferir o total cumulativo de infecções podem prover evidência empírica do nível de imunidade em áreas muito acometidas. Neste relatório, nós mostramos que a transmissão de SARS-CoV-2 em Manaus, na região amazônica, aumentou rapidamente em março e abril, e caiu mais lentamente entre maio e setembro. Em junho, um mês após o pico da epidemia, 44% da população tinha anticorpos detectáveis, indicando uma incidência cumulativa de 52% após correção da taxa de falso-negativos inerentes ao exame. A soroprevalência caiu em julho e agosto, com a redução dos níveis de anticorpo circulante. Após correção levando em conta esta redução, nós estimamos que a proporção final da população infectada foi de 66%. Embora intervenções não-farmacêuticas e mudanças comportamentais da população possam ter auxiliado na redução da transmissão de SARS-CoV-2 em Manaus, a taxa de infecção elevada sugere que imunidade de rebanho teve um papel importante em determinar o tamanho final da epidemia.

    Rotas da introdução do COVID-19 no Brasil

    Numa fase inicial da epidemia, quando o número de casos de SARS-CoV-2 importados estava aumentando no Brasil, usámos dados de incidência e histórico de viagens aéreas para estimar as rotas de importação mais importantes para o país. Tal análise permite sugerir onde

    Entre fevereiro e março de 2019, o Brasil recebeu 841.302 passageiros internacionais em um total de 84 cidades em todo o país (Figura 1). São Paulo, a maior cidade do país, foi o destino final de quase metade (46,1%) dos passageiros que chegaram ao Brasil, seguidos pelo Rio de Janeiro (21%) e Belo Horizonte (4,1%). Mais da metade dos passageiros internacionais iniciaram a viagem nos EUA (50,8%), seguidos pela França (7,9%) e Itália (7,5%). As rotas de viagens aéreas para aeroportos no Brasil com maior número de passageiros foram EUA-São Paulo (23,3%), EUA-Rio de Janeiro (9,8%) e Itália-São Paulo (3,4%).

    Potencial de importação de COVID-19 para o Brasil. O painel à esquerda mostra a proporção (%) de passageiros das 20 principais rotas para aeroportos brasileiros de países que notificaram casos de COVID-19 até 5 de março de 2020. Painel na proporção estimada do lado direito (%) das importações para as 20 principais rotas de países que reportaram COVID-19 local até 5 de março de 2020.

    É importante ressaltar que, com a recente redução no número de voos saindo da Itália e 51% dos voos para o Brasil partindo de aeroportos nos EUA, devemos antecipar uma proporção crescente de viajantes infectados que chegam dos EUA. Em um momento em que o número de casos de SARS-CoV-2 cresce constantemente no Brasil, nossas descobertas destacam o alto potencial para a introdução de novos casos em várias cidades do Brasil, especialmente nas metrópoles de São Paulo e Rio de Janeiro. A identificação rápida de localidades onde os grupos de transmissão locais podem se infectar pela primeira vez é fundamental para coordenar melhor as ações preventivas ,  de prontidão e resposta. Há uma necessidade crítica de dados epidemiológicos, de mobilidade humana e genéticos para entender a dinâmica de transmissão de vírus em todo o Brasil. A integração contínua desses fluxos de dados deve ajudar a orientar a implantação de recursos para mitigar a transmissão do COVID-19 no Brasil.

    Confira nossa publicação científica aqui Confira também um vídeo do youtube do Dr. Chico Camargo explicando nossas descobertas.